
Neste artigo, você vai saber quem é o escritor Marquês de Sade e por que ele foi preso. Além disso, vai descobrir a origem da palavra “sadismo”. E você que gosta dos conteúdos do site Literatura!, conheça também os livros de seu autor. É só clicar aqui.
Quem é o Marquês de Sade?
Donatien Alphonse-François é o Marquês de Sade. Esse escritor francês nasceu em Paris, no dia 2 de junho de 1740. Mais tarde, estudou no colégio Louis-le-Grand e, em 1754, ingressou na Escola da Cavalaria Ligeira. De 1755 a 1763, foi subtenente, oficial e capitão.
Por viver uma vida libertina, ficou preso durante 15 dias em 1763. Nesse mesmo ano, se casou com Reneé-Pélagie. Em 1764, assumiu o cargo de lugar-tenente. No ano em que seu pai (o conde de Sade) morreu, o Marquês de Sade teve seu primeiro filho, em 1767. No ano seguinte, ficou preso durante pouco mais de sete meses, após ser acusado de maltratar uma mulher chamada Rose Keller.
Já em 1772, foi processado, e também seu criado Latour, por quatro prostitutas, em Marselha. Elas teriam sido flageladas e sodomizadas. Sade foi condenado à morte por praticar sodomia (sexo anal entre homem e mulher, ou entre homens). Mas conseguiu fugir e foi morar na Itália.
Em 1774, ele se refugiou em La Coste, seu castelo no Sul da França, onde se deram várias orgias. No ano seguinte, fugiu novamente para a Itália, voltando em 1776. Mas, em 1777, foi preso em Paris. Ficou preso em Vincennes até 1784, quando foi transferido para a Bastilha, onde escreveu suas principais obras.
Nesse período escreveu aquela que pode ser sua obra-prima: Os 120 dias de Sodoma. Com a Revolução Francesa, em 1789, foi levado para Charenton, onde foi libertado em 1790. Assim, Sade deu por perdido o manuscrito. E, até o fim de sua vida, acreditou que a obra tinha sido destruída.
Porém, o romance Os 120 dias de Sodoma sobreviveu e foi publicado, pela primeira vez, em 1904. Já em 1790, Sade conheceu sua companheira Marie-Constance Quesnet. E no ano seguinte, publicou o livro Justine, além de escrever textos de cunho político. Mas, em 1793, foi preso novamente.
No ano seguinte, foi solto. Mas, em 1801, foi preso outra vez quando estava na editora Massé, responsável pela publicação de seus livros. Seus livros Justine e Juliette foram confiscados. Mas a família conseguiu que ele fosse enviado para o hospício Charenton, em 1803. Morreu em Charenton, no dia 2 de dezembro de 1814.
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Por que o Marquês de Sade foi preso?
Sade esteve preso por quase 30 anos de sua vida. E o motivo de suas prisões estava baseado em questões morais ou, mais precisamente, sexuais. Com exceção dos abusos contra Rose Keller, em 1767, e contra outras quatro mulheres, em 1772, ele foi condenado por pensar e agir como um libertino, sendo punido pela sociedade de seu tempo, apesar de ocupar um lugar socialmente privilegiado.
Obras do Marquês de Sade

- Justine — romance.
- Juliette — romance.
- Os 120 dias de Sodoma — romance.
- A filosofia na alcova — romance.
- Os crimes do amor — contos.
- Eugénie de Franval — novela.
- Diálogo entre um padre e um moribundo — diálogo.
- Aline e Valcour — romance.
- História secreta de Isabel da Baviera, rainha de França — romance.
- O marido complacente — contos.
- Oxtiern — peça teatral.
- Le suborneur — peça teatral.
- A marquesa de Gange — romance.
As obras de Sade estão relacionadas à literatura gótica, pelo seu caráter sombrio, trágico e filosófico. No entanto, o que mais sobressai em suas narrativas é o teor erótico, pornográfico e libertino. Em suas obras, ocorrem assassinato, tortura, incesto, abuso sexual, além de o narrador explicitar uma diversidade de desejos sexuais. Os leitores do passado (e muitos ainda hoje) ficaram chocados com a violência, a crueldade e a falta de limites nas narrativas eróticas do marquês.
A origem da palavra “sadismo”
A palavra “sadismo” vem do nome do escritor Marquês de Sade. Portanto, “sadismo” é um substantivo derivado do sobrenome “Sade”. Segundo a Infopédia da Porto Editora, sadismo é: “perturbação do instinto sexual em que a satisfação sexual é alcançada por meio do sofrimento físico ou moral infligido ao parceiro” ou “perversão que consiste em tirar prazer do sofrimento alheio; crueldade”.
Tal definição é condizente com os elementos recorrentes nas obras do autor, que apresentam sexo explícito, acompanhado de violência física e moral. O substantivo está relacionado, portanto, mais às obras literárias do autor do que às preferências sexuais de Sade.
Agora que você já sabe quem é o escritor Marquês de Sade, que tal ler uma obra literária? Desta vez, vou te indicar o romance Somos bruxas. Será que você também é uma bruxa?
Leia também este livro: Fogo nas trevas.
Referências
BURG, Edson. O pathos em Sade, ou a escrita como fórmula. 2017. Tese (Doutorado em Literatura) – Centro de Comunicação e Expressão, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2017.
L&PM EDITORES. Vida & obra: Marquês de Sade. Acesso em: 29 dez. 2024.
Este artigo foi escrito por: Warley Matias de Souza.